Pedro Melo: Um sonho antigo

15003397_10154769451497276_1256549591631506774_oFotografia: Arquivo Pessoal

O Joseense Pedro Henrique Melo, formado em 2010 na Universidade de Taubaté sempre teve um amor pela televisão e acredita que nasceu para ser jornalista. Para comemorar o dia do jornalista, eu chamei o Pedro para uma conversa. Confere aí:

Jornalista Curiosa: Quais os desafios do jornalismo diário?

Pedro Melo: Eu acredito que os principais desafios do jornalista, no dia-a-dia, são: a batalha contra o tempo, as possibilidades de apurar, checar e se certificar da veracidade dos fatos, em certos momentos o enfrentamento junto ao editor, ou colega de trabalho que pode acabar por prejudicar seu trabalho uma vez que é preciso o trabalho em equipe a todo o momento.

No meu caso, o deadline do jornalismo, na Televisão, exige um controle e cuidado com a linguagem, forma que a informação precisa ser repassa, até mesmo na forma como se pretende noticiar. O desafio é, frente aos meios digitais, que publicam tudo com muito mais agilidade e rapidez, ser diferenciado na forma de contar, tornar o conteúdo diferente, interessante do mesmo jeito e o com IMAGENS (as que valem mais do que mil palavras sabe?!).

 

JC: Qual a matéria que mais te marcou?

PM: É sempre difícil escolher uma só, mas é claro que as grandes coberturas sempre deixam ensinamento e reflexões. O acidente na rodovia Mogi-Bertioga, envolvendo estudantes de São Sebastião, no ano passado, foi uma grande cobertura que repercutiu muito. É nosso dever saber separar o sentimento do profissionalismo que ali, no calor da situação, é exigido da gente. Eu me envolvo sim, mas depois e no meu cantinho.

 

JC: Como é a rotina de um repórter?

PM: Não tem rotina né?! Isso é bem difícil, porque tudo pode mudar a cada segundo. E eu acredito que isso seja uma das maiores virtudes da nossa profissão. Em dias normais, dependendo do que foi pautado, são reportagens gravadas, com entradas ao vivo para os telejornais da emissora, no meu caso, e no impresso tem os deadlines também. Mas todos os dias tudo que se imagina que pode acontecer muda, até mesmo na pauta fria (aquela que não é factual) surgem encaminhamentos diferentes, ideias diferentes, e até mesmo a pauta por inteiro pode mudar.  É maluco isso!

 

JC: Atualmente, nas redes sociais as pessoas se acham jornalistas por ter a facilidade de compartilhar um fato em tempo real. Pra você, o que diferencia um profissional do internauta?

PM: É preciso entender que a nossa profissão de jornalista foi muito banalizada, ainda mais com a queda da exigência do diploma. Por sorte, muitas empresas ainda contratam jornalistas formados. Claro que o perfil existe, eu mesmo digo que nasci repórter, e quem me conhece sabe disso, mas o conteúdo adquirido na universidade é a base para o caráter, conhecimento da sociedade e o entendimento das questões éticas da profissão. O que diferencia é a forma de enxergarmos uma notícia, a bagagem cultural por termos estudado sociologia, psicologia, a história do país, do jornalismo aqui e no mundo. Fazer jornalismo não pode ser tão simples assim. Jornalista é jornalista, e internauta vai ser sempre internauta. Melhor talvez, seja o jornalista e internauta.

Mas valorizo MUITO o compartilhamento de vídeos, fotos, textos e vivências nas redes sociais, blogs, sites, enfim…o filtro precisa existir, mas nunca deixarão de ser fatos e histórias. Bom do jornalista que souber registrar tudo isso.

 Foto Liu FelicianoFotografia: Liu Feliciano

JC: Você sempre quis trabalhar em TV?! Como foi conseguir focar nesse caminho?

PM: Sempre! É um encantamento pelo veículo mesmo, desde pequeno. Antes mesmo de optar pelo jornalismo, acredito que o instinto de repórter sempre existiu e a consequência foi que pela paixão por televisão, quis unir o útil ao agradável. Fazer jornalismo na televisão.

Desde o início da faculdade minha ambição foi estudar narração, saber como contar uma boa história, adaptar isso para o rádio de início e depois pra TV. E o estágio, minha maior escola, na Rede Vanguarda, me possibilitou aprender errando BASTANTE, o que acontece até hoje, mas sempre focando em como fazer um bom trabalho pros telespectadores. Li muito, mas acima de tudo eu assisti MUITO televisão. E adoro ver reportagens de colegas.

 

JC: Se você não fosse jornalista, qual profissão seguiria?

PM: Não sei! Talvez fosse professor, voluntário num projeto social. Aliás, eu já sou. E se pudesse me dedicaria ainda mais. Eu sempre brinco que sou capaz de fugir com o circo, vai saber!

 

JC: O que você aprendeu na faculdade e levou para a profissão?

PM: O conhecimento da sociedade, as questões éticas que vão ao encontro do meu senso justiça. A duvidar das informações, questionar até mesmo de forma burra. Que o jornalismo é a melhor profissão do mundo. Conheci teóricos, conheci fundamentos da profissão, conheci teorias de convívio em sociedade e aprendi a desenvolver a liderança. Por vezes fui editor-chefe do jornal impresso da faculdade e também do telejornal. Não é fácil, mas ouvi todos e tomei decisão em conjunto. Gestão de pessoas se aprende na faculdade também, apesar de existir pós-graduação para isso, tem gente que não aprende.

 

JC: Qual a sua meta no Jornalismo daqui 5 anos?

PM: Tudo muda né?! Mas, me vejo fazendo reportagens, continuando em contato com gente nas ruas. E claro, se eu puder sonhar com a possibilidade de estar gravando uma reportagem internacional seria o máximo. O jornalismo me dá essa desculpa para bater, entrar e tentar entender a vida dos outros. Assim me entendo, e posso sobreviver nesse mundo.

 

JC: Um conselho para os jovens que querem cursar jornalismo.

PM: Quer fazer jornalismo?! Se tiver dúvida, tente se ouvir. A dúvida faz parte. Eu sempre vou ser suspeito pra falar, mas acredito que o melhor é tentar identificar no seu perfil a vontade de mudar o mundo, conhecer muitas histórias, gente, vivenciar muitas coisas, não dormir, trabalhar bastante, se dedicar aos outros. Ouvir, ouvir, ouvir sempre!

 

 

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