Documentário aborda o abandono paterno
Entrevista

Documentário aborda o abandono paterno

São mais de 5 milhões de crianças brasileiras que não têm o nome do pai nos documentos

Alexandre MortaguaFotografia: Giuliana Nunez

Com o intuito de discutir sobre o abandono paterno no Brasil, Alexandre Mortagua, de 22 anos, reuniu uma equipe para produzir um documentário que trouxesse o assunto para ser debatido.

Alexandre está se formando em Artes Visuais e já trabalha como diretor, roteirista e produtor executivo. O jovem conversou comigo e falou um pouco mais desse projeto que vem ganhando cenas. Confira:

Jornalista Curiosa: Como surgiu a ideia do documentário? Como foi a escolha do tema?

Alexandre Mortagua: Foi um combo, a ideia e a escolha. Eu, pessoalmente, gosto de basear meus roteiros em notícias, matérias jornalísticas e dados, mesmo os roteiros de ficção que a produtora tem preparado pra depois do “Todos nós”, são todos inspirados em fatos. E não há como deslegitimar a vivência de uma pessoa, com ela ali na sua frente, te contando a história dela. Humaniza, destrói até um projeto de fascistóide. O filme nasce primeiro daí: poder discutir muitos temas diferentes e paralelos (aborto, direito ao corpo, identidade, família, comunidade, machismo, patriarcado, etc) com uma história que envolve toda e qualquer pessoa que já nasceu. E aqui a desculpa não é romantizar a família, que pode ser uma experiência bem danosa e violenta pra uma pessoa gay, como eu, ou trans.

 

JC: Muitas pessoas têm a curiosidade de saber como se produz um documentário. Explica um pouco das fases desse projeto.

AM: O nosso documentário tem a produção paralela de uma ficção, o que muda um pouco a dinâmica da captação das entrevistas, por exemplo. Um documentário pode ser filmado em 4 dias ou em anos, depende muito do seu personagem. O que eu posso dizer é que pesquisamos bastante as histórias antes de começarmos a captar.

 

JC: Qual foi a sua maior dificuldade na produção?

AM: Por ser uma produção independente (lê-se sem financiamento público), é um esforço quádruplo pras pessoas comprarem a sua ideia. O primeiro choque foi com a campanha do Catarse. É complicado com a equipe também, que abre mão de outros trabalhos remunerados, e a eles é muito importante manter o interesse e o tesão no que a gente tá fazendo junto. Nessa produção isso não foi um problema, porque nossa equipe tá com muito amor pelo filme, e o clima no set é como férias com amigos. Mas sempre fica aquela necessidade de justificar pra esse profissional o porquê dele estar naquele projeto.

 

JC: Qual o objetivo do documentário?

AM: Agora eu acho que é contar essas histórias, dessas pessoas que passaram esse tempo todo sendo silenciadas, seja pela família, pelos amigos, por esse progenitor que os abandonou, seja pelo Estado. Antes das entrevistas minha resposta seria outra.

Documentário Todos nós 5 milhõesFotografia: Reprodução/ todosnos5milhoes

JC: Quantos personagens serão ouvidos?

AM: Faltam três diárias das entrevistas e até agora foram 18 pessoas. Acho que chegaremos a 25.

 

JC: Qual história te marcou mais até agora?

AM: Pra isso você vai ter que assistir o filme {risos}!

 

JC: Quando li sua entrevista no Hypeness você tinha feito um financiamento coletivo. Você conseguiu o valor? Ou ainda está acontecendo o financiamento?

AM: Ainda não. Mas voltaremos com uma segunda campanha quando terminarem as filmagens.

 

JC: Como bem diz o nome do documentário, são mais de 5 milhões de pessoas que não têm o reconhecimento  de paternidade. Qual a causa desse número ser tão grande?

AM: Não só é grande, como pode ser o triplo. Esses 5 milhões contabilizam apenas crianças matriculadas no sistema brasileiro de educação. Não contabiliza as fora da escola, os recém-nascidos, os que adultos nem os idosos. Sobre os motivos, é uma questão estrutural, onde o homem precisa urgentemente rever a ideia de paternidade e se posicionar contra essas estruturas.

 

JC: Será quanto tempo de produção?

AM: Nossas filmagens vão até o meio de abril.

 

JC: Quando fica pronto?

AM: Se tudo correr bem com o nosso planejamento, em dezembro temos o filme finalizado.

 

Eu me chamo Flávia do Carmo

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