Quando ler significou muito mais que um passatempo

Além de um filho, a gestação de Pepper deu vida a uma escritora de mão cheia

12106804_680234975444967_6392424768187240911_n - CopiaPepper participou do Programa do Jô em outubro de 2015 | Fotografia: Arquivo Pessoal

Com uma infância difícil, os livros não tinham espaço na vida dela. Sempre trabalhou para ajudar os pais em casa, passou na faculdade e os livros continuavam não tendo espaço na vida dela. Mas depois de anos quando adulta, num momento complicado, ela teve que ficar alguns meses de repouso e foi aí que ela deu uma chance para as histórias de ficção, e a ligação entre FML Pepper e a literatura foi tão grande que ela passou de leitora para escritora. Em meia década ela já escreveu uma trilogia que hoje é considera um best-seller.

Eu tive a alegria de conversar com a Pepper e falamos sobre inspirações, desafios, literatura brasileira e muito mais. Confira:

 

Jornalista Curiosa: Quantos anos você tem?

FML Pepper: Não vou dizer não [risos] é segredinho!!!

 

JC: Você tem ou teve outra profissão além de ser escritora?

Pepper: Eu sou e exerço odontologia. Sou dentista atuante, atendo em consultório e sempre com agenda cheia, a escrita surgiu muito depois. Há 5 anos que eu comecei a escrever, então na verdade, sou muito mais dentista do que escritora.

 

JC: Em qual cidade você nasceu e em qual vive hoje?

Pepper: Eu nasci e vivo em Niterói, uma cidade próxima ao Rio de Janeiro  muito agradável, mas que ultimamente está com um tráfego de carros muito grande, um trânsito terrível, mas enfim eu amo minha cidadezinha de paixão!

 

JC: Qual foi a primeira história que você escreveu?

Pepper: Eu sou uma iniciante na literatura, então minha primeira história foi Não Pare! Escrevi apenas três livros até hoje que compõem a trilogia Não Pare! Não Olhe! e Não Fuja! e essa é a minha primeira história dessa saga fantástica.

 

JC: Qual foi o seu primeiro contato com a literatura?

Pepper: Meu primeiro contato com a literatura veio bem tarde. Como meus leitores sabem, eu vim de uma infância humilde não tive contato com a literatura quando criança por dois motivos. Primeiro, meus pais não tinham o hábito da leitura, eles eram muito humildes e como a grande parcela dos brasileiros não tem o hábito de ler, e para contribuir não sobrava dinheiro para os livros, o dinheiro era usado para coisas essenciais como comida. Sempre fui excelente aluna, acabei me formando e passando na Federal de Odontologia e comecei a ler, mas eu lia muitos livros de odontologia não lia livros de ficção. Então meu primeiro contato com a literatura para valer não foi quando eu li aqueles livros no colégio, porque na época eu não fui fisgada pela leitura, mas sim na minha gestação quando tive que ficar os nove meses de repouso absoluto e para mim que estava acostumada a trabalhar, ficar na cama por tanto tempo me deixou na beira da depressão, e foi aí que comecei a ler, os livros de ficção que me salvaram, foi ali meu primeiro contato.

1908491_566590076809458_7896322843843893695_n - CopiaPepper já tinha uma vida profissional formada e ativa quando seu lado escritora despertou | Fotografia: Simone Mascarenhas

JC: Quando surgiu o desejo de ser escritora?

Pepper: Na verdade eu fui atropelada por isso, eu não tive desejo de ser escritora. Como eu disse eu passei a gestação toda deitada e para fugir do fantasma da depressão eu comecei a ler muito, no período de nove meses eu li quase 100 livros, e aí deu vontade de contar histórias que começaram a vir na minha mente. E a ideia de Não Pare! de certa forma veio quando eu estava lendo o livro A Menina que Roubava Livros, que a histórias era narrada pela morte então eu pensei, e se a morte se apaixonasse pela pessoa que ela tivesse que matar e aí me deu vontade e escrever sobre isso, não tive desejo de ser escritora, eu simplesmente tive desejo de escrever sobre aquilo, eu nunca tinha lido um livro onde uma garota de apaixona pela própria morte. Então tratei de arregaçar as mangas e escrever a minha própria história de amor, que é a saga de amor entre a vida e a morte.

 

JC: Como surge a inspiração para as suas histórias?

Pepper: Da observação.  Olhando as pessoas no dia a dia, vendo as pessoas na rua , lendo livros, eu costumo dizer que meus personagens são emaranhados, são costuras, característica de um, temperamento e físico de outro, e assim acontece com as histórias, coisas que você ouviu alguém contar, uma coisa que você leu no jornal, você vai formando e quando vê surgiu uma nova história.

 

JC: Como é feita a escolha dos nomes dos personagens?

Pepper: É uma coisa de instante, em algum determinado momento os nomes pipocam na nossa cabeça, outros nomes eu mesma criei, fiquei juntando sílabas umas com as outras pra ver se havia sonoridade e assim foram surgindo os nomes.

 

JC: O que você gosta de ler?

Pepper: Basicamente tudo que seja voltado para o público juvenil, pode ser fantasia, romance, aventura, suspense, eu só não sou muito chegada a livros de terror, esses não fazem o meu estilo.

 

JC: Quais os escritores brasileiros que te inspiram?

Pepper: Existem diversos escritores brasileiros que me inspiram, mas eu poderia dizer que o principal é Paulo Coelho, eu sou uma grande admiradora do trabalho dele e gosto muito também do Eduardo Spohr.

 

JC: Qual escritor você tem vontade de conhecer?

Pepper: Eu morro de vontade de conhecer o Paulo Coelho, mas também tenho muita vontade de conhecer a Suzanne Collins dos Jogos Vorazes.

11032008_666144380187360_9144308021422706798_n - CopiaPepper se divide entre a literatura e a odontologia | Fotografia: Arquivo Pessoal

JC: O que você gosta de fazer quando não está escrevendo?

Pepper: Dançar, comer, principalmente chocolate, tomar café, namorar, brincar de rolar no chão com o meu filho e meus cachorros enfim, uma coisa bem simples, mas curtir de cabeça relaxada, ver um bom filme com o meu marido, uma coisa bem light.

 

JC: Como é a sua relação com os seus leitores?

Pepper: Eu posso dizer que é apaixonante, não podia ser melhor. Papai do céu sempre foi e continua sendo muito bom pra mim, eu sempre tive pacientes maravilhosos e agora estou tendo leitores mais que maravilhosos, pessoas que me incentivam, são alegres, eufóricas. Você não tem noção da quantidade de e-mail e mensagens que eu recebo de madrugada, minha caixa de e-mail costuma encher muito mais nesse horário do que durante o dia. As pessoas começam a ler e ficam ansiosas para terminar e avançam a madrugada e quando terminam ficam apaixonados e querem dividir aquela paixão comigo, e eu fico tão agradecida, tão feliz com isso, não poderia ser melhor.

 

JC: Qual a sensação de ler uma história que você escreveu?

Pepper: É surreal. Tem horas que me questiono se realmente foi eu quem escreveu aquilo [risos]. Eu só posso crer que existe um ser maior que ilumina nossa mente, nosso coração, nossas emoções, a forma como a gente consegue colocar no papel aquele punhado de letras que vão se transformando em linhas e parágrafos e quando você vê se tornou uma história que de certa forma  pode tocar alguém com aquilo que você diz, isso é muito incrível!

 

JC: Quais os desafios para se tornar escritora aqui no Brasil?

Pepper: São muitos, mas principalmente porque ser um país que não há o hábito da leitura, o povo não tem esse costume, e os livros não são baratos,  então só isso já dificulta o escritor que está começando e tem outros, como a questão do próprio preconceito do leitor brasileiro com relação aos livros nacionais, mas que graças a Deus está caindo, os leitores estão enchendo as prateleiras de livros brasileiros, nas bienais têm filas para falar com autores nacionais e isso é incrível, sensacional. Mas acredito que os desafios sejam os que existem em qualquer parte do mundo, mas que acabam sendo potencializados num país que pouco valor se dá a literatura

 

JC: Quanto tempo você leva para escrever um livro?

Pepper: Eu sou muito lenta, não sou uma pessoa que escreve rápido, o pessoal acha que eu sou muito crítica com o que eu vou escrever. Eu demorei quase dois anos para terminar Não Pare! foi um livro lento que eu fui desenvolvendo um mundo fantástico,  fui criar um universo com suas leis, com seus códigos, com suas regras e a partir daí demorou um pouco mais, porque eu sou lenta pra caramba [risos].

10363738_554457374689395_5641243875223838023_n - CopiaPepper escreveu um romance nada convencional e encantou leitores de todas as idades e lugares | Fotografia: Arquivo Pessoal

JC: Seus leitores dão ideia de possíveis histórias para você? Se sim, qual foi a mais inusitada?

Pepper: Pra falar a verdade meus leitores não dão ideia para possíveis histórias não, eles ficam loucos da vida porque a trilogia acabou e querem saber mais aí ficam dando ideias de desdobramentos da minha própria trilogia para que eu pudesse desmembrá-la um pouco mais.

 

JC: Qual seu próximo projeto?

Pepper: Eu já tenho o esqueleto, mas ainda não está pronto, está bem longe disso. Vai ser um New Adult,  que não é uma história fantástica, ela vai acontecer aqui na Terra, no nosso mundo e é a história de uma garota normal que vai passar por uma experiência sobrenatural, eu adoro essas coisas [risos], no meio de muita ação, vai ter uma carga de romance e deve ser um livro único.

 

JC: Um recado para seus admiradores.

Pepper: Muito obrigada, muito obrigada, muito obrigada por vocês existirem, sem vocês nada disso teria valido a pena, nada disso seria possível. Eu quero agradecer cada uma das palavras de puxões de orelha, cada uma das críticas, de cada um dos abraços, dos ombros que me deram nos momentos tristes, das piadas, dos momentos divertidos, porque é graças a vocês que eu cheguei onde estou. Muito obrigada pelo carinho, pela atenção e espero que um dia a gente possa se encontrar e falar muito sobre literatura. Mega beijão!

 

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