Precisamos falar de Futebol Americano

É domingo, dia 18 de dezembro. É a terceira vez que sento numa arquibancada para assistir a um jogo de futebol americano.
final-guardians-logo-copiaPara mim, que mal conheço o futebol brasileiro jogado com os pés. E agora me pego aqui torcendo por um time que há um ano vem conquistando cada dia mais admiradores desse novo esporte para a cidade de Cruzeiro.

O Guardians é forte, ousado e corajoso. Levar as pessoas para assistirem a uma novidade dessas e fazer com que elas sintam o arrepio de cada ponto conquistado não é tarefa para os fracos.  Lembro que no primeiro jogo deles em casa, fiquei perdida que nem agulha em palheiro. Para mim era todo mundo correndo atrás daquele que estava com a bola, eram frequentes os tombos e isso me assustou. Confesso. Apesar de já ter assistido Super Bowl por indicação e um pouco de pressão do meu namorado que adora o esporte {obrigada amor, hoje eu entendo porque você não perde um jogo haha}, eu nunca me imaginei acordando cedo para ver uma partida de perto.

No segundo jogo na nossa cidade menina, foi mais tranquilo. Era domingo também, porém 10 horas da manhã. Um horário bom, não fosse o fato de ser no dia seguinte a uma festa de casamento em que passei a madrugada inteira dançando. Mas acordei determinada a ir mais uma vez para o campo da Esefic e torcer pelo Guardians mesmo tendo dormido apenas algumas poucas horas. Ganhamos, assim como no primeiro jogo. Estava começando a achar que eu era pé quente haha e estava dando sorte para os meninos.

Foi esse pensamento que me fez mais uma vez comparecer em campo num domingo típico de verão, hoje dia 18 de dezembro.  É a final do Campeonato Paulista, e estamos jogando em casa. É muito emoção, é muita força e é claro vontade de deixar a taça aqui na Cidade Menina. Foi um jogo lindo de se ver, com respeito e garra! Por mais um domingo lá estava eu gritando, torcendo, cantando o hino, comemorando cada jogada e sentindo o coração acelerar com o passar do tempo e o placar favorável para nós {um bom torcedor é aquele que faz parte do time né?!} GANHAMOS! E foi muito mais que uma taça, foi além de mais um título, que somando já são três, um para cada 4 meses de treino desse time que ainda é uma criança, mas que de frágil não tem nada.
final-guardians-logo-3-copiaEu estava no campo e vi tantos olhos brilhando, tantos choros de quem treinou muito embaixo de sol e de chuva e que não estava acreditando que havia vencido. Vencido o medo, a insegurança e a pressão dos times maiores. Fiquei por alguns segundos ali num canto só admirando a felicidade multiplicada por dezenas de jogadores que estavam festejando uma conquista pelo qual vinham lutando diariamente. Derrotaram times invictos, times que estão no esporte há anos, times pequenos e também os gigantes, os favoritos. Derrotaram o ego de alguns e também a dúvida de muitos que acreditaram que eles não iriam longe. Pois é, eles foram. E tudo isso em 12 meses. Imagina só o que vem por aí!

Todas as vezes que chego em casa após um jogo, a sensação é a mesma: euforia!  A felicidade é tamanha que não consigo explicar a emoção de quando o locutor grita ‘CRUZEIRO’ e a torcida em voz unânime responde ‘GUARDIANS’, é uma emoção que só quem já vivenciou pode entender. Hoje eu já olho para o campo e vejo que muito mais que todos correndo atrás do cara que está com a bola, são pessoas evitando que o time adversário avance as faixinhas brancas {conhecidas como jardas haha}, correndo para parar o outro, para pegar a bola, para tirar a flag, são tantos movimentos, que mal dá pra piscar e não perder um lance. É um esporte em que um depende de todos, que o espírito de equipe é primordial, assim como o respeito. Não é briga, é defesa. E quando um se machuca, todos se ajoelham como sinal de respeito, mas pra mim, é um sinal de oração, um sinal de quem pede ao Altíssimo que cuide daquele que está ferido. Ainda não entendo todas as regras, mas o que importa mesmo é que o coração entra em campo com o time e ali, naqueles minutos eu vivo intensamente cada jogada!

Já são três títulos, o time pequeno que começou ‘do nada’ hoje é conhecido por todo o Estado. 2016 não foi um ano fácil, até mesmo para o esporte, mas precisamos reconhecer as maravilhas que ele nos permitiu viver. Se eu sou pé quente ou não, ainda não sei. Mas é certo que ganhando ou perdendo, GUARDIANS eu estarei aí! Porque quando há amor, admiração e gratidão um placar é só detalhe! Mas é claro que, se for ganhando ele tem um gostinho a mais!

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