Paratleta arremessou a depressão para longe de sua vida
Entrevista

Paratleta arremessou a depressão para longe de sua vida

Um acidente fez com que André Rocha aprendesse a conviver com uma nova companhia: a cadeira de rodas.

jonas-barbettaO esporte foi a saída da depressão e a chance de um recomeço | Fotografia: Jonas Barbetta

O ex-policial, de 39 anos, viu sua vida mudar após cair de um muro numa perseguição, encontrou no arremesso de peso uma oportunidade de recomeçar. Conheça a história desse paratleta taubateano que já ganhou títulos nacionais e internacionais e foi responsável por quebrar o recorde mundial. Confira:

Jornalista Curiosa: Como que o arremesso de peso começou a fazer parte da sua vida?

André Rocha: Minha vida inteira pratiquei esportes, quando consegui sair da depressão, queria voltar a praticar, mas não sabia onde poderia encontrar. Conheci o Projeto Esporte Para Todos no campo do CTI e, após conversar com o treinador Guto, comecei a treinar no dia seguinte onde, fui apresentado ao arremesso de peso. Me adaptei rápido e os resultados foram aparecendo durante os campeonatos.

 

JC: Porque escolheu esse tipo de esporte?

AR: Na verdade, eu não escolhi. Meu treinador me apresentou a ele e me adaptei muito rápido. Hoje, me sinto como se já treinasse o arremesso durante toda minha vida.

 

JC: Qual o papel do esporte, para a sua recuperação, auto estima e superação?

AR: O esporte me trouxe de volta a vida. Sempre fui competitivo e quando eu ganhei meu primeiro campeonato, tive a certeza de que, poderia voltar a sentir aquela adrenalina, aquele clima de competição, aquela vontade de se superar o tempo todo. Saí da depressão, criei expectativas, voltei a sorrir e ter um novo sentido para seguir em frente.

 

JC: Quais as mudanças que o esporte trouxe para você?

AR: O esporte fez com que eu me reencontrasse comigo mesmo. Fez com eu voltasse a viver e desse um novo sentido a minha vida.

 

JC: Qual maior alegria que o esporte proporcionou à você?

AR: Voltar a ver minha família sorrindo com minha felicidade, depois de tanto sofrimento que passaram ao meu lado. Não tem dinheiro que pague ver a alegria no rosto de cada um deles.

 

JC: O que você sente quando está competindo?

AR: Eu me sinto vivo, sinto aquela adrenalina boa que impulsiona e que faz com que, eu sempre faça o meu melhor. Eu quero sempre mais e as competições fazem com que esse sentimento aumente cada vez mais. Eu respeito todos meus adversários mas, naquele momento, minha vontade de vencer é tamanha que, só quero arremessar o mais longe possível e ver a bandeira do meu país no lugar mais alto do pódio.

 

JC: Com muitas conquistas e vitórias, pra você, qual foi a mais importante?

AR: Cada vitória, cada medalha, tem sua importância e fez com que, conseguíssemos degrau a degrau, alcançar os objetivos. Mas, fazer a melhor marca da história, com a quebra do recorde mundial, na Alemanha onde, respiram arremessos e lançamentos, sem dúvida foi o momento mais importante até então.

Eu me chamo Flávia do Carmo

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