O Sorriso da Hiena: O que motiva alguém a fazer maldades?!
Entrevista

O Sorriso da Hiena: O que motiva alguém a fazer maldades?!

Essa foi uma das questões que o autor de “O Sorriso da Hiena” tinha a curiosidade de responder

O Sorriso da Hiena - Gustavo ÁvilaFotografia: Jeferson Caldart

Gustavo Ávila, de 33 anos. Além de escrever, gosta de ler, ver filmes e séries, escutar música, tudo que é relacionado à alguma forma de contar e sentir histórias. Adquiriu há pouco tempo bastante gosto pela caminhada e houve até tentativas de correr {um bom começo Gustavo, parabéns!}.

Mora há alguns anos em Floripa e, há pouco mais de um ano, começou a surfar. Como podem notar, ele não tem limites (risos). E foi com essa ousadia de aprender coisas diferentes e fazer a diferença que Gustavo apostou numa história nada convencional e, que deu certo, muito certo. Confira:

Jornalista Curiosa: Como começou seu interesse pela literatura?
Gustavo Ávila: Sou publicitário, trabalho na área de criação como redator. Minha vida com a literatura começou justamente com a publicidade. Foi tendo ideias que eu vi que algumas delas poderiam ser exploradas com mais profundidade e que isso só seria possível fora do universo da propaganda. Poderiam ser maiores. Essas ideias poderiam virar histórias.

 

JC: Seu livro envolve psicologia, a intenção de fazer o bem mesmo fazendo o mal. Como surgiu a ideia de envolver assuntos tão ‘ousados’ como esses em um livro?
GA: Eu sempre tive uma fixação com o motivo pelo qual nos tornamos pessoas más. Por que decidimos fazer algo que irá prejudicar alguém. Mas não a maldade do tipo roubar para matar a fome. A maldade pela escolha, não pela falta de opções. Tudo nasceu a partir disso. Como questionar isso. Qual história poderia levantar essas perguntas: já nascemos assim? Somos predispostos à maldade? O mundo nos transforma naquilo que nos tornamos? A partir daí as coisas foram aparecendo.

 

JC: Você imaginou que ‘O Sorriso da Hiena’ teria o sucesso que tem hoje?
GA: Eu gosto de imaginar que o que faço será bem-sucedido, sim. Porque se você faz algo e não acredita que dará certo, não faz sentido fazer. É preciso fazer achando que será incrível. Mas claro que é preciso ter o pé na realidade, até para se proteger dos possíveis fracassos, que normalmente é mais fácil de alcançar do que o sucesso. De qualquer forma, estou feliz pelo barulho que o livro tem feito até agora, mas ainda é cedo para dizer que é um sucesso. Tudo ainda está em uma pequena escala. Logo ele será testado pra valer, quando estiver à disposição de mais pessoas. Mas estou otimista. Otimista e ansioso. E ciente de que ainda há muito trabalho a fazer e muita história para escrever até realmente poder me considerar um grande autor. A estrada é longa. Eu ainda só abri o portão da garagem.

 

JC: Quando você começou a escrever a história e quanto tempo demorou para terminar?
GA: Comecei em 2011/2012. Escrevendo pra valer, levou mais de 3 anos.

 

JC: Enquanto escrevia o livro, houve algum momento em que você pensou em desistir? Qual?
GA: Não. Em momento algum. Às vezes eu me sentia um pouco cansado, deixava a escrita um pouco de lado, respirava. Mas desistir, não. Depois que realmente comecei a trabalhar na história eu descobri que era isso que eu queria fazer pra sempre.

O Sorriso da Hiena - Gustavo ÁvilaFotografia: Denise Rabelo

JC: Qual foi a dificuldade maior em lançar um livro de maneira independente?
GA: Dinheiro. É preciso dinheiro para fazer algumas coisas bem feitas. Mas tive a sorte de ter pessoas competentes ao meu lado que me ajudaram de tantas formas, muitas vezes cobrando mais barato pelos serviços, em alguns casos não cobrando nada.

 

JC: Agora o livro será lançado pela Editora Verus. Como aconteceu essa transição da distribuição independente para a Editora?
GA: Depois que o livro começou a fazer um certo barulho na internet, no Instagram, YouTube e blogs, eu recebi uma proposta de uma editora bacana que estava interessada em lançar o livro. Como não entendia nada de contrato, pedi uma orientação para a Marianna Teixeira Soares, que é uma grande agente literária. Ela já havia feito a leitura crítica do meu livro antes de eu lança-lo de forma independente. Casou de nesse contato ela estar trazendo para a equipe dela uma nova profissional, a Luciana Bastos Figueiredo, que também trabalharia na agência. E com a entrada dela surgiu espaço para novos autores e eu consegui ser agenciado pela MTS, agência da Marianna. A Luciana começou a conversar com editoras, inclusive essa que entrou em contato comigo, mas, no fim das contas, a melhor proposta veio da Verus. O que me deixou bastante feliz porque o Thiago Mlaker, da Verus, que é um profissional bem bacana no meio literário, iria trabalhar diretamente neste projeto. Foi assim. Resumidamente.

 

JC: A Globo comprou os direitos do  ‘O Sorriso da Hiena’. O que você pode nos adiantar sobre essa parceria. Vem uma minissérie por aí?
GA: Ainda é cedo para saber. Na verdade, nada é certo. Pode ser minissérie, filme ou algum outro produto audiovisual. E também pode não acontecer nada e eu pegar os direitos de volta. Agora é esperar e ver o que acontece. Foco nos próximos trabalhos.

 

JC: Tem um segundo livro sendo trabalhado?
GA: Sim. Tenho a ideia de outros dois livros já engatilhadas. Um deles estou trabalhando agora. Também será um romance policial e terá o mesmo detetive do “O sorriso da hiena”, o Artur. Mas é uma história que acontece anteriormente, sem ligação entre as duas. O terceiro não será policial, embora haja um tipo de investigação, porém, mais para o lado da arqueologia, e se passará no continente africano e também no Brasil. Há também um conto que está disponível na Amazon, chamado Pá de cal.

O Sorriso da Hiena - Gustavo ÁvilaFotografia: Nathalia Sabino

JC: Quando eu falo “O Sorriso da Hiena” o que passa pelos seus pensamentos?
GA: Muito trabalho e as coisas começando a acontecer. Felicidade.

 

JC: O que o livro mudou na sua vida?
GA: Me deu a certeza de que a coisa mais importante é ir atrás do que você quer. E de que é possível. É possível.

 

JC: O que você aprendeu com essa história?
GA: Que praticamente nada vem sem muito trabalho. Que alcançar um grande objetivo fica muito mais fácil quando você tem pessoas incríveis ao seu lado, dando apoio e suporte. Que mesmo tendo apoio das pessoas que te amam só você vai acreditar 100% no seu sonho. Que é preciso ser flexível, as coisas nem sempre acontecem da forma que você espera, mas às vezes acontecem melhores. Que é um desperdício de tempo ficar reclamando de algo que deu errado. Que pode dar o trabalho que for fazer algo que você tanto quer, mas quando alguma coisa nesse trajeto dá certo, pode ser alguma coisinha que seja, isso já renova todas as suas energias para seguir em frente. E é isso que precisamos para alcançar grandes coisas, saber saborear cada pequena conquista.

 

Eu me chamo Flávia do Carmo

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