O início de Carina Rissi, dos amigos imaginários para os personagens de livros

Olá galera, que felicidade estar de volta ao nosso cantinho! O blog ficou parado por dois meses, por motivo de: foi hackeado 🙁 confesso que isso me desanimou um pouco, mas logo comecei a sentir falta de escrever para vocês e aqui estou novamente, pronta para mais um recomeço!
E não tem convidada melhor para iniciar esse novo ciclo do que Carina Rissi, uma escritora que conheci através dos livros da Andreia Meyer, outra escritora que sou apaixonada ❤️ {tem entrevista dela nesse link} e que me fez ficar curiosa para entender as histórias de suas personagens rsrs!
Aproveitei que a Carina esteve presente na SML Experience, aqui em Taubaté, e fui bater um papo com ela {e foi incríveeeel!} Confere aí:

 

Carina Rissi falando sobre seus livros na SML Experience 2017 em Taubaté

 

Jornalista Curiosa: Li em seu site que você sempre lê a última página de um livro antes de compra-lo. Já houve algum que você leu e não comprou? E qual você leu e pensou: ‘eu preciso ler essa história’?
Carina Rissi:
Que eu li e não levei não aconteceu ainda. E um que eu precisava levar foi Férias da Marian Keyes. Eu precisava entender como chegou naquele final. É um habito!

Eu sou muito ansiosa. Escrever, às vezes, é um tormento porque ao mesmo tempo em que quero ir devagar para já deixar o texto redondo, eu só consigo fazer um esboço de início, por que quero saber como vai terminar. Nem sempre sei o rumo que a escrita está tomando, eu vou deixando os personagens me levarem. E muitas vezes, dou uma espiada lá na frente e depois volto de onde parei.

 

JC: E quando você decidiu que queria ser escritora?
CR:
Acho que eu não decidi exatamente. Eu tinha diversas histórias na cabeça, muitos amigos imaginários [risos], mas é meio assustador. Até hoje eu acho meio assustador sentar para escrever, é como se você convidasse as pessoas para dar uma espiada no que se passa na sua cabeça.

Eu tinha uma visão diferente de escritor, como se fosse uma coisa tão inalcançável, como se precisasse nascer com uma estrela na testa. O que me estimulou foi, na verdade, uma entrevista que eu vi com a Stephenie Meyer, de Crepúsculo, conforme ela ia dizendo eu ia me identificando. Quando terminou essa entrevista, eu peguei o celular e comecei a digitar, sem nenhuma pretensão, algumas coisas sobre a história da Sofia e quando eu vi, em dois dias eu tinha feito seis capítulos e o celular começou a travar [risos] e aí comecei a escrever pelo computador, levando um pouco mais a sério, mas não muito. Eu não contei pra ninguém, de repente eu sumia a tarde e ia para o computador e eu só fui contar quando já estava do meio para o final ‘olha eu estou fazendo um negócio, parece um livro [risos], quer dar uma olhada? Uma lida?’.
Acho que o momento em que eu assumi que queria fazer isso foi quando meu marido leu e falou ‘Caramba, mais gente tem que ler isso. É muito legal!’ e aí começamos a ver como funcionava porque não tínhamos a menor ideia de como iniciar uma carreira de escritora e nem por onde começar. E aí eu falei ‘vamos ver se dá certo’.  

 

JC: Qual era a sua profissão antes de ser escritora?
CR:
Naquele momento eu era só mãe.

Fui funcionária pública por muito tempo, mas não gostava muito. E quando minha filha nasceu, fiquei só para cuidar dela. Comecei a escrever, ela tinha de três para quatro anos. É tudo muito recente.
É que também, a minha carreira não aconteceu num ‘bum’ foi um degrau de cada vez, algumas coisas sim, aconteceram muito rápidas, mas foi dando aquele tempo para eu conseguir encaixar na minha cabeça, na minha vida essa rotina que hoje eu tenho e que influencia na vida deles {marido e filha} também. A família toda foi se ajustando aos poucos, e foi bem legal, porque imagino que daquela Carina para a Carina de hoje em dia, eu não conseguiria lidar tão bem.

 

JC: Como você avalia o cenário atual da literatura brasileira?
CR:
Fazia muito tempo que não era tão feliz. Não querendo dizer que toda essa crise foi boa, mas de certa forma beneficiou um pouco o escritor de casa. Porque os de fora cobram aquisição de direito e é muito caro por ser em dólar e aqui no Brasil não tem.

O leitor também se abriu mais para a literatura nacional. Acho que esse movimento mais jovem, obviamente sem desmerecer ninguém, porque muita gente vem abrindo caminho faz tempo pra chegarmos até aqui, é muito favorável.  Estou muito contente. Lógico que pode melhorar, mas acho que comparado com 10 ou 15 anos atrás, está muito favorável.

 

JC: O que você faz nas horas vagas? Se é que elas existem!
CR:
Não tenho mais horas vagas [risos], isso eu não conheço desde 2014. Não estou brincando [risos]. Esse é o meu primeiro fim de semana de folga entre aspas, que não estou fazendo evento. Estava correndo para entregar o livro no prazo e já estou esboçando o próximo porque tenho que entregar em setembro e tenho dois para o ano que vem!

Eu leio, muito menos que eu lia ou que eu desejo, não anda sobrando muito tempo. Antes eu li de 12 a 15 livros por mês e hoje, ás vezes, consigo ler um e é com muita tristeza que te digo isso.

 

JC: E o que você gosta de ler?
CR:
Ah, eu gosto de ler tudo. Meu gênero favorito é o qual eu escrevo, que é o romance. Eu amo Chick lit, sempre me identifico com as personagens. E não gosto muito de terror porque depois não durmo, sou muito imaginativa.

 

Carina é autora da série Perdida e tem mais de 250 mil livros vendidos

 

JC: Você falou que trabalha com prazo. Como é quando ocorre um bloqueio criativo?
CR:
Não costumo ter grandes bloqueios. Tenho bloqueios, às vezes de 4 ou 5 dias e é muito irritante, muito irritante mesmo. Vai me deixando muito nervosa. Algumas ferramentas para mim funcionam, mas uma das coisas que melhor funciona é como algumas mães dizem ‘meu filho dorme super bem no carro’. É bem isso, eu peço para me colocarem no carro e andar, funciono muito bem na estrada, com a música rolando e silêncio.

Não tenho tantos, mas quando isso acontece eu sei que cada semana que eu perco terei que correr lá na frente, então às vezes sacrifico o tempo com a família, às vezes trabalho em horários absurdos. Para concluir ‘Quando a noite cai’, que estava bem próximo do prazo e ainda tinha algumas coisas que queria ajustar, às vezes eu ia de 7 da manhã às 3 da madrugada, todos os dias. Eu estava exausta no final, então não posso me dar ao luxo do bloqueio, mas às vezes acontece. Infelizmente.

 

JC: Como acontece a criação dos personagens?
CR:
É bem amigo imaginário. Ele brota mesmo, quando estou no banho ou na cama e principalmente quando estou dormindo. A Sofia me atormentou muito na época.  A história dela passava pela minha cabeça como um trailer de filme. E gosto assim, eu acho que dessa maneira, se eles me convencem que eles existem, eles irão convencer outras pessoas também. Eu já tentei mudar alguns personagens, mas soou falso e se eles parecem autênticos pra mim, eles parecem autênticos para quem lê.

 

JC: Como você lida com as críticas?
CR:
Tantos as negativas, quanto as positivas, acho que lido bem, aprendi a trabalhar.

Escrevo não para ganhar elogio. Escrevo em primeiro lugar pra mim. Eu quero me divertir, me agradar, me emocionar e se eu conseguir isso com mais alguém, já estou satisfeita. Costumo ponderar bastante, tanto no positivo e principalmente no negativo. Sempre que leio uma resenha que a pessoa não gostou do livro por um motivo ou outro eu dou uma lida e falo ‘será que ela tem razão?’ para ver se eu consigo absorver alguma coisa boa daquilo, mas de modo geral, não costumo me abalar não, nunca tive problemas.

 

JC: O que as pessoas podem esperar dos textos da Carina Rissi?
CR:
Situações bastante embaraçosas, sempre, por que a minha vida é assim. É raro uma semana que eu passo sem ter pagado mico. Não me lembro disso ter acontecido [risos] então eu gosto de colocar isso no livro, acho que torna a personagem com falhas mais reais. Pode esperar também romance, que eu adoro. E um pouco de magia, gosto muito.

 

JC: Quem é a Carina?
CR:
É muito tímida, ela não tem filtro, fala e só depois ela pensa. É bastante sonhadora, meu pé no chão é o Adriano, meu marido, se deixar eu saio voando. Mas também sou regrada para algumas coisas. Por exemplo, meu trabalho eu levo muito a sério, mas tem coisas que talvez merecessem um pouco mais da minha atenção e eu deixo para depois. Não consigo me organizar direito. Minha vida é uma bagunça e isso acaba interferindo em mim e, de modo geral, no livro. Até em evento errado, no local errado eu já fui [risos]! Estava no dia e horário certos, mas no lugar errado.

 

Deixe seu comentário